Cinema: O Maior e Mais Amado Monstro do Cinema Chega aos 70 anos
Criado pelo estúdio de cinema japonês Toho em 1954, o gigantesco dinossauro aquático Gojira (neologismo oriundo da junção das palavras gorira/gorila e kujira/baleia) era uma metáfora ao horror sofrido pelo povo nipônico na derrota da II Guerra Mundial e pelas duas bombas atômicas jogadas pelos EUA em Hiroshima e Nagasaki, que até hoje reverbera no consciente coletivo dos (as) japoneses (as). A produção, dirigida por Ishiro Honda, foi um enorme sucesso junto ao grande público, fazendo com que o temido Gojira ganhasse diversos filmes, virasse brinquedo, e fosse visto em revistas em quadrinhos, animações e em todas as mídias possíveis. Hollywood não ficou de fora e, além da esquecível produção dirigida por Roland Emmerich em 1998, desde 2014, ele (batizado em inglês de “Godzilla”) e King Kong lideram o chamado “Monsterverse” (Universo de Monstros), que está sendo tocado pela Warner.
Em 2023, a Toho, para celebrar os 69 anos de vida do personagem, lançou “Godzilla Minus One” (foto), que se passa imediatamente após o fim da II Guerra, quando o Japão, que voltara à “estaca zero” com a arrasadora derrota para os aliados, passa ao nível “menos um” quando, além de toda a vergonha e do país estar em ruínas, precisa enfrentar a terrível e, aparentemente, indestrutível criatura que está rumo a Tokyo.
O enredo acompanha Köichi Shikishima, um piloto de caça Kamikaze (ataques suicidas) que, perto do fim do conflito, forja um defeito em seu avião para fugir de sua missão, pousando em uma ilha que é atacada por Godzilla, que mata todos os homens em serviço, com exceção dele (Shikishima) e do mecânico chefe, que culpa o piloto por não ter usado as bombas de sua aeronave para atacar a criatura. Anos depois, ainda corroído pela culpa e sem permitir-se afeiçoar-se a pessoa alguma, Shikishima tem uma chance de redenção quando começa a integrar um grupo de combatentes civis que enfrentará a poderosa criatura em mar aberto, cujo sucesso ou fracasso selará para sempre o destino de toda a nação do sol nascente.
Vencedor (merecidamente) do Oscar de Melhores Efeitos Visuais, derrotando caríssimas superproduções hollywoodianas, “Godzilla Minus One” é uma versão mais próxima da concepção original do personagem, apesar de ser ambientada quase 10 anos antes dele ter sido oficialmente criado, e certamente agradará aos “godzillamaníacos (as)”, apesar de poder ser considerada um tanto quanto tosca por um público não tão afeito às origens clássicas da criatura. Diversão descompromissada para toda a família, embora os (as) personagens humanos (as) tenham mais tempo de tela do que eu gostaria.
Por Muniz Filho
Comentários
Postar um comentário