Cinema: Demi Moore no Papel Mais Desafiador de Sua Carreira

     


     

Hollywood sempre foi um espaço inóspito para as mulheres, onde muitas delas precisavam, no início das carreiras, servir de objetos sexuais para produtores e diretores com o intuito de conseguir os melhores papeis, e, ao chegarem aos 50 anos, eram tidas como velhas e ultrapassadas, não conseguindo manterem-se no auge, independentemente do seu talento ou de quanto sucesso elas obtiveram. Ao longo das décadas, os exemplos só acumularam-se com grandes divas sendo renegadas (devido à idade) ao quase ostracismo, como Gloria Swanson, Bette Davis, Rita Hayworth, Ava Gardner, Jessica Lange, Michelle Pfeiffer, etc., enquanto seus contemporâneos astros masculinos envelheciam mas continuavam no auge, estrelando grandes produções e fazendo par romântico com mulheres décadas mais novas.

Atualmente nos cinemas, o drama de horror “A Substância” (foto, 2024) usa o horror corporal para fazer uma crítica mordaz e sem sutilezas a esta faceta da indústria cultural, que ainda é predominantemente gerida por homens. Na produção, conhecemos a cinquentona Elizabeth Sparkle (a “sumida” Demi Moore de “Proposta Indente”, 1993), uma ex-celebridade midiática e musa fitness, que é demitida pelo asqueroso Harvey (Dennis Quaid de “A Fera do Rock”, 1989), o executivo da tv que a alçou ao estrelato, por estar velha demais para um público cada vez mais sedento por beleza e juventude.

Sem aceitar o peso da idade, e insatisfeita com aquele corpo já não tão jovem que a encara no espelho, Elizabeth resolve fazer uso da substância do título, que cria uma versão sua (“nascida” de suas costas), muitos anos mais jovem, bela e “perfeita” para os sempre insatisfeitos padrões de beleza da mídia internacional. Autodenominada de Sue (a estrela em ascensão Margaret Qualley de “Tipos de Gentileza”, 2024) passa a dividir com Elizabeth, sua casa, roupas e a vida em si, voltando a sentir o gosto do sucesso, da fama e do “amor” dos (as) fãs, que lhe foram “roubados” pela idade. O problema é que Sue fica cava vez mais extasiada com a fama e, pouco a pouco, começa a se incomodar a ter essa “vida dividida” com a “velha” Elizabeth, esquecendo-se que ambas são uma só, para o bem e para o mal.

Dirigido e escrito pela francesa Coralie Fargeat (“Vingança”, 2018), a produção causou furor no Festival de Cannes (onde levou o Prêmio de Melhor Roteiro), apesar de não ser um filme que eu indique a todos (as), posto que o horror corporal explícito utilizado sem reservas e elevado à última potência pode ser incômodo a algumas plateias. Para quem possuir estômago forte, “A Substância” será uma experiência memorável sobre a tirania da juventude e beleza à qual as mulheres continuam sendo submetidas em pleno século XXI.  


Por Muniz Filho

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