O Tedioso “Found Footage” na Ficção Científica

 


Em 1999, um filme de terror de baixíssimo orçamento, intitulado de “A Bruxa de Blair” (1999), alcançou um colossal sucesso mundial, muito do qual devido ao seu estilo narrativo denominado “found footage” (do qual estou MUITO longe de ser fã), que consiste em toda a ação ser captada através de celulares, videocâmeras, câmeras de segurança e similares operados (as) pelos (as) próprios (as) personagens, dando à produção um ar documental, como se estivéssemos vendo algo que realmente aconteceu e cujas fitas e gravações foram encontradas tempos depois e transformadas em um filme. Este estilo virou, por um tempo, moda na capital do cinema, sendo, em sua maioria, associado a produções de suspense e terror, alternando grandes êxitos de bilheteria com fiascos junto a público e crítica.

É neste segundo grupo que, infelizmente, enquadra-se a ficção científica “Viagem à Lua de Júpiter” (foto, 2013, “Europa Report” no original), cujos inúmeros problemas começam pelo título nacional que dá a entender que o maior planeta do nosso sistema solar (Júpiter) tem apenas um satélite natural (ou lua), quando, na verdade, possui dezenas, sendo a lua chamada de “Europa” apenas a quarta maior delas.

A citada “Europa” é o destino final de uma nave interplanetária que está em busca de vida extraterrestre e de locais para uma possível colonização humana. Contando com uma enxuta tripulação de 6 cientistas, a missão (bancada por uma empresa privada que reconta a história em flashbacks baseados nas imagens gravadas pelas câmeras da nave) começa a enfrentar problemas cada vez mais graves à medida que se aproxima de seu objetivo, levando os (as) tripulantes a decisões de vida e morte, e a questionarem tudo que achavam saber sobre a imensidão do espaço.

Dirigido pelo equatoriano Sebastián Corderó (“Sem Mortos Não Há Carnaval”, 2016), o insosso e fracassado “Viagem à Lua de Júpiter” tem rostos conhecidos no elenco, como o oriental Daniel Wu (“Caminhos da Memória”, 2021), o sul-africano Sharlto Copley (“Distrito 9”, 2009), o sueco Michael Nyqvist (“De Volta ao Jogo”, 2014), Dan Fogler (trilogia “Animais Fantásticos”) e Embeth Davidtz (“Matilda”, 1996).

Com uma cronologia narrativa não linear (o que costuma agradar-me bastante), o filme, apesar de curtinho, parece durar uma eternidade com o enredo (refém do “found footage”) que, assim como a nave, fica dando voltas e voltas (terrível trocadilho) e não desenvolve nem a ação nem os (as) personagens, com um anticlímax extremamente decepcionante e, cujo encerramento abrupto, mata qualquer possibilidade do público empolgar-se minimamente com o que acabou de assistir. Um total desperdício de tempo, até para fãs apaixonados (as) de ficção científica, como eu.


Por Muniz Filho


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